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Painel Haddad (16/12/2020) - Paulo Nogueira Batista
301 falas · 1 políticos · 16 de dezembro de 2019 · 30 min
Falas de Fernando Haddad. 301 falas transcritas, com tema e posicionamento nas que a análise classificou.
Quem fala
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Transcrição
301 falasTranscrição completa do vídeo. As falas que a análise classificou trazem tema e posicionamento.
O meu entrevistado de hoje é professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas desde 1989.
Antes, trabalhou no Ministério do Planejamento com João Sayad e no Ministério da Fazenda com Dilson Funaro.
Foi pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP e autor de vários livros sobre economia.
Boa noite, Paulo Nogueira Batista.
Desconhecido
Boa noite.
Desconhecido
Como é que você está?
Desconhecido
Bem, obrigado.
O que tem de verdade sobre o que a gente... Pensa no senso comum sobre o FMI.
Desconhecido
Eu notei, por exemplo, que ao longo do período em que eu lá estive, o Fundo Monetário mudou para melhor na sua avaliação macroeconômica.
Desconhecido
Graças ao trabalho de algumas pessoas, por exemplo, eu destacaria o Domenico Stauskarn, que foi diretor-gerente do Fundo Monetário, o número um da administração, o ex-candidato a presidente francês, socialista, que era uma pessoa de mente aberta, com uma certa formação keynesiana.
Desconhecido
E ele trouxe como economista-chefe o Olivier Blanchard, que é um grande economista macroeconomista, neo-keynesiano, flexivelmente aberta também.
Desconhecido
E também com o trabalho de algumas cadeiras, a brasileira, a russa, a indiana.
Desconhecido
Arejamos o pensamento do Fundo Monetário.
Desconhecido
Tanto que eu vou te dizer que eu acho que hoje, mesmo com um certo retrocesso que aconteceu depois da saída do Dominique Strauss-Kahn e do Olivier Blanchard, E a normalização da crise, a crise atenuou, isso provocou um certo retrocesso.
Desconhecido
Mas mesmo com esse retrocesso nas reformas do pensamento do fundo, eu diria que o pensamento econômico do fundo hoje é mais avançado do que aquilo que passa por ortodoxia econômica no Brasil.
Ou seja, o FMI hoje seria uma boa influência sobre os economistas brasileiros, é isso que você está dizendo?
Desconhecido
Seria, seria bom que muitos economistas brasileiros lessem os estudos e pesquisas que o fundo faz, porque frequentemente são interessantes.
Desconhecido
Agora, tendo dito isso, eu não quero também pintar um quadro do FMI como uma maravilha, não, de jeito nenhum.
Desconhecido
O FMI é uma entidade governada, a governança é desequilibrada, nós fizemos um esforço de melhorar essa governança.
Desconhecido
para aumentar a representação dos países emergentes, no fundo, mas esse esforço é parcialmente bem sucedido apenas.
E acaba havendo uma imposição de agenda que vai ao encontro dos interesses desses países, suponha?
Desconhecido
Sim, e se mistura, o Fundo Monetário é uma entidade técnica e política ao mesmo tempo, e não é incomum que ele seja usado para avançar as agendas bilaterais dos países dominantes.
Desconhecido
Daí que a relutância do senso comum, do que você chamou de senso comum, em relação ao fundo, é justificada.
Desconhecido
Porque no processo de negociação de um acordo com o fundo, as influências púrias estão frequentemente presentes também.
Ou seja, é muito importante não dever para o fundo, porque isso pode representar uma perda de soberania muito grande.
Desconhecido
Por isso é que o Brasil fez um esforço bem sucedido de acumular reservas, que começou em 2005, 2006.
Desconhecido
Em 2006, mais fortemente.
Desconhecido
Em 2006, mais fortemente com o Manter, quando o Manter entrou no Ministério da Fazenda.
Desconhecido
E hoje nós temos reservas elevadas, o que dá ao Brasil uma proteção que outros países não têm.
E em relação à China?
Você depois migrou para a China.
O Banco dos BRICS é um desenvolvimento dos BRICS, eles próprios, esse conjunto de países em desenvolvimento que tem economias robustas, por assim dizer.
E que não só tentaram se coordenar, mas estão tentando criar mecanismos que não são propriamente aqueles herdados do pós-guerra, que são aqueles organismos multilaterais, Banco Mundial, FMI, conhecidos.
Tentando criar um polo para garantir um equilíbrio de fora, por assim dizer.
Vocês tentaram um equilíbrio de dentro e agora vai se tentando um equilíbrio por fora.
Desconhecido
Exatamente.
Isso tem... Isso vai ter força?
Você acha que vai ganhar impulso?
Ou o fato do Brasil estar nessa situação de ambiguidade prejudica o desenvolvimento dessas ideias?
Prejudica.
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