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allTV - Painel Haddad (12/08/2019) - LAURA CARVALHO
212 falas · 1 políticos · 13 de agosto de 2019 · 32 min
Falas de Fernando Haddad. 212 falas transcritas, com tema e posicionamento nas que a análise classificou.
Quem fala
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Transcrição
212 falasTranscrição completa do vídeo. As falas que a análise classificou trazem tema e posicionamento.
Olá, estamos novamente aqui na OLTV e nas mais diversas plataformas da internet para discutir a realidade do nosso país e da América Latina.
A minha entrevistada de hoje é professora de Economia da USP.
Tem graduação e mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado na New School nos Estados Unidos.
Além disso, ela é colunista da Folha de São Paulo.
Boa noite, Laura Carvalho.
Boa noite.
Prazer estar aqui com você.
Obrigada a você pelo convite.
Escuta, e esse livro, como é que você explica um livro de economia, que enfim, não é propriamente literatura fácil, não é ficção, ter feito o sucesso que está fazendo, já beirando os 30 mil exemplares, considerando o e-book e mais o impresso.
Como é que você reagiu a esses números, a esse sucesso?
Desconhecido
Pois é, acho que tem um elemento que é o momento em que o livro saiu.
Desconhecido
Ele saiu em maio do ano passado, em 2018, antes da campanha eleitoral, num momento em que a crise econômica... se mostrou muito mais perene, permanente e até mais profunda do que o que vinha sendo aventado.
Desconhecido
Então, muita gente vendia a ideia de que o impeachment seria suficiente para a economia voltar a crescer, depois que a aprovação da PEC do teto de gastos faria essa retomada da confiança.
Desconhecido
E acho que ali em 2018 a gente chega num processo eleitoral com muita clareza de que as soluções até ali apresentadas não estavam... nos levando para esse crescimento maior, coisa que, aliás, esse ano se mostrou ainda mais verdadeira.
Desconhecido
E aí o livro, eu acho que ele supri essa lacuna, vamos dizer, de olhar para o passado com alguma, enfim, tentando... identificar os fatores por trás dessa crise, tanto os externos, tanto os internos, ao mesmo tempo destacando os acertos, os erros, e tudo o que poderia ser feito no futuro para que a gente ficasse só com a parte dos acertos e caminhasse para um novo modelo de desenvolvimento.
Desconhecido
Então, acho que foi um pouco isso.
Desconhecido
Claro, tem o fato de eu ter começado a escrever em jornal e aprendido a usar uma linguagem.
Desconhecido
que fogem um pouco do economês, ou daquele economês mais duro, que bloqueia as pessoas e que, aliás, eu acho que cumpre um papel, uma função de afastar as pessoas do debate econômico.
Muitos economistas, recentemente, inclusive liberais, resgataram o debate dos anos 40, dos anos 50, recentemente, lembrando a polêmica entre os chamados liberais e os chamados desenvolvimentistas.
Esse debate, de certa maneira, está sendo recuperado de várias maneiras, pelos dois lados, curiosamente, para defender os seus pontos de vista, do tipo, está vendo como eu estava certo?
Mas o que você diria do paradigma liberal e do paradigma desenvolvimentista, pelo menos nessa velha chave?
Como é que você se situa nesse debate?
Desconhecido
Olha, eu até acho que, se a gente pensar nesses paradigmas como papel do Estado, na geração de crescimento econômico e de bem-estar para a sociedade, que é o que é realmente relevante, é evidente que eu estaria muito mais próxima dos chamados desenvolvimentistas, porque eu acho que a ideia de você deixar o mercado sozinho, fazendo toda a alocação de recursos para a sociedade, que isso vai ser mais eficiente, mais eficaz e que as pessoas estarão mais... com maior acesso aos produtos, à renda, aos serviços que elas desejam, já se mostrou equivocada, não uma vez, nem duas.
Desconhecido
Acho que a crise de 2008, inclusive, revolucionou o pensamento econômico no mundo, não à toa.
Desconhecido
A desregulação dos mercados financeiros, a desregulação dos mercados trabalhistas.
Desconhecido
Nesses países, ao longo dos últimos anos, inclusive fortalecidos pela globalização, ao longo dos últimos anos, mais décadas, desde os anos 80, me parece que não levaram a economia mundial para um... algo melhor, muito pelo contrário.
Desconhecido
A gente viu a desigualdade aumentando nesses países e agora até estamos arcando com as consequências disso para a democracia.
Desconhecido
E essa onda populista de direita tem muito a ver com isso.
Desconhecido
Então, a minha sensação é que nem as instituições multilaterais, o FMI, os órgãos de pesquisa, o mainstream da economia, hoje enxerga o liberalismo, vamos dizer, radical, essas ideias ultra em que não há Estado, como alguma coisa respeitável.
Desconhecido
Na verdade, está todo mundo preocupado em encontrar os mecanismos no Estado, na política econômica, na distribuição de renda, que pode ser feito tanto pelo gasto, pela tributação, os mecanismos regulatórios necessários e o melhor possível para que o setor privado, inclusive, consiga prosperar de uma maneira a beneficiar o conjunto da sociedade.
Uma coisa curiosa é que aconteceu no Brasil, tem uma coisa comum que aconteceu em termos de, não diria classes sociais propriamente, mas camadas sociais, segmentos sociais.
E você apontou em alguns artigos teus que esse aperto da classe média, os tais 40% do meio.
Isso está na literatura internacional, já tem estudos mostrando que isso é um fenômeno generalizado pós-globalização.
De fato, você tem os 40% do meio que se apertaram em todo canto.
Isso não é diferente no Brasil.
No Brasil, eu não diria que essa classe média ficou mais pobre nos anos Lula, mas ela ficou, do ponto de vista relativo...
Desconhecido
Ganhou menos.
Ela ganhou menos.
Ou ganhou muito menos.
Mas, num mundo desenvolvido, você não teve o fenômeno dos pobres ficarem menos pobres.
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