Transcrição do vídeo
Painel Haddad (21/10/2019) - Lilia Schwarcz
307 falas · 1 políticos · 21 de outubro de 2019 · 30 min
Falas de Fernando Haddad. 307 falas transcritas, com tema e posicionamento nas que a análise classificou.
Quem fala
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Transcrição
307 falasTranscrição completa do vídeo. As falas que a análise classificou trazem tema e posicionamento.
A minha entrevistada de hoje é especialista em um tema recorrente na história brasileira desde o século XVI, o autoritarismo.
Ela é antropóloga, historiadora e professora da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da Universidade de São Paulo e da Universidade de Princeton.
Boa noite, minha amiga Lília Schwartz.
Desconhecido
Boa noite.
Tudo bem?
Tudo bom.
Bom, vou começar com, primeiro te agradecendo o presente, o livro sobre o autoritarismo brasileiro.
Lília Schwartz, recém-lançado, coisa de três meses.
Desconhecido
Três meses.
Desconhecido
Três meses e meio.
E já com mais de 30 mil exemplares.
Desconhecido
Dá para ver que o tema é quente, né?
Ou seja, os brasileiros estão muito interessados em discutir o Brasil, a história do Brasil.
Desconhecido
Estão querendo entender, né?
Desconhecido
Entender suas raízes, os seus problemas.
E aqui, o teu livro, que eu li com muito interesse.
porque eu estou estudando o Brasil também, acho que todo brasileiro está mais interessado do que nunca na história desse país, para a gente repensar o nosso futuro, a nossa condição atual.
Ele tem oito capítulos, cada um deles destinados a um problema estrutural do Brasil.
O primeiro capítulo é sobre escravidão e racismo, o segundo sobre mandonismo.
Terceiro, sobre patrimonialismo.
Quarto, sobre corrupção.
Quinto, sobre desigualdade social.
Sexto, sobre violência.
Sétimo, sobre raça e gênero.
Oitavo, sobre intolerância.
É uma espécie de oito pragas do Brasil.
Superamos o Egito.
Desconhecido
Mas pragas contornáveis, porque são pragas históricas, não são pragas biológicas.
Desconhecido
Então eu queria começar...
Antes de falar do Brasil atual, das perspectivas que você vê para o nosso futuro, você é historiador e antropóloga, eu queria que você,
Desconhecido
em
rápidas pinceladas, tratasse desses temas, sobretudo daqueles que não são tão tematizados pela imprensa, mas que são objeto de estudos historiográficos bastante aprofundados, como você mesmo reporta.
Mas eu começaria, bom, escravidão é um tema clássico, depois você fala de mandonismo.
Por que você destacou o mandonismo como um problema estrutural da história brasileira?
Desconhecido
Porque o Brasil foi um país criado a partir da lógica colonial.
Desconhecido
Foi também um país criado a partir de uma metrópole específica, Portugal, que era um país pequenino, com pouca população.
Desconhecido
E essa lógica colonial faz parte de uma maneira perversa.
Desconhecido
da nossa história e da nossa estrutura, como você mesmo se refere.
Desconhecido
O Brasil, todos sabemos, foi construído na base da distribuição de grandes propriedades, propriedades em que, se a gente olhar os mapas do século XVI e XVII, nós sabíamos qual era o litoral, ninguém sabia o que vinha lá para dentro, eram mapas muito engraçados, do tipo, terras desconhecidas.
Desconhecido
Parece quase kafkiano, ou seja... terras desconhecidas, mas já estão no mapa.
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