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Roda Viva | Luiz Inácio Lula da Silva | 1986
1209 falas · 0 políticos · 8 de abril de 2021 · 118 min
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Boa noite, nós estamos começando neste momento mais um Roda Viva, o programa de entrevistas e debates da TV Cultura de São Paulo.
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Nesta noite, nosso entrevistado é Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT, o Partido dos Trabalhadores.
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E para participar deste Roda Viva esta noite, estão conosco Ricardo Cotio, jornalista do Jornal do Brasil, Lenildo Tabosa Pessoa, jornalista do Jornal da Tarde, Boris Casoy, jornalista da Folha de São Paulo, Marcelo Rezende, jornalista da revista Placar, Fernando Moraes, jornalista, escritor e deputado.
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Carlos Nascimento, jornalista da TV Globo.
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Hamilton de Souza, jornalista do Retrato do Brasil.
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Sandra Guerra, jornalista da Rádio Eldorado.
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Walter Barelli, diretor do Diese.
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Júlio Lobos, economista e consultor de grandes empresas e empresas multinacionais na área de assessoria nas negociações dos patrões com os trabalhadores.
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E também Floreal Rodrigues, jornalista da revista Exame.
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E queria lembrar, você que está assistindo o Roda Viva em casa, que pelo telefone 252-6525, 252-6525, você pode fazer qualquer pergunta para o Lula, que a Ângela, a Isa e a Ana anotarão a pergunta, me passarão e eu farei a sua pergunta para o presidente do Partido dos Trabalhadores.
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Bem, Lula, existem hoje no Brasil três lideranças capazes de assumir... o papel de críticos principais da reforma do Plano Cruzado, que parece que não agradou a população brasileira.
Desconhecido
É grande descontentamento entre as várias faixas da população brasileira com a reforma do Plano.
Desconhecido
Essas três lideranças seriam, em primeiro lugar, o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola.
Desconhecido
Ele é um derrotado.
Desconhecido
Em segundo lugar, o ex-ministro Delfim Neto.
Desconhecido
Venceu a eleição, mas é um homem que representa um regime que foi muito mudado, um regime antigo.
Desconhecido
E a terceira pessoa é você.
Desconhecido
Já pensou na possibilidade, tem interesse, pretende fazer isso, de assumir essa liderança nacional de crítica ao regime econômico, à situação econômica que nós vivemos hoje no Brasil?
Desconhecido
Olha, Gamberino, eu penso que não se trata sequer de a gente pensar em assumir.
Desconhecido
Acho que é nosso dever assumir o papel de crítico, porque eu acredito que não existirá democracia num país se todas as pessoas estiverem dizendo amém a quem está no governo.
Desconhecido
Da nossa parte, nós estamos com a consciência tranquila, porque em fevereiro deste ano, quando foi anunciado o pacote, a gente dizia que o pacote era um pacote que tinha objetivos eleitoreiros, a gente dizia que o governo precisava ir mais fundo e permitir que o movimento sindical tivesse o mínimo de possibilidade de controlar as empresas para que não houvesse a maquiagem do produto, para que não houvesse sonegação por parte de alguns produtores, e a gente dizia que o governo não ia conseguir controlar os preços porque o ágio ia comer solto.
Desconhecido
Tudo o que a gente dizia no dia 3 de março de 1986 aconteceu durante o período.
Desconhecido
Obviamente que o processo de massificação em cima do pacote econômico levou muita gente a se iludir de que o pacote econômico resolveria os problemas de toda a classe trabalhadora.
Desconhecido
E hoje, com o outro pacote econômico anunciado esta semana pelo governo... Faz com que pessoas, inclusive, não apenas Brizola, Delfim, Lula e outras pessoas, mas pessoas do PMDB, como Mário Covas hoje, que eu cansei de assistir entrevista dele, dizendo que não tinha sido prudente a forma que tinha sido anunciado.
Desconhecido
E o mais grave desses pacotes, Gamberino, é uma coisa que o povo está deixando no segundo plano.
Desconhecido
É que é o quarto pacote econômico que a nova república faz através de decreto-lei.
Desconhecido
E se nós tivéssemos um pouco cuidado de analisar... o que todas as pessoas nesse país falavam da utilização do decreto-lei por parte do governo militares, um governo civil jamais poderia utilizar o decreto-lei da forma que está sendo utilizado.
Desconhecido
E eu acho que se o governo leva ou manda um plano... para o presidente da República assinar.
Desconhecido
E esse plano assinado em forma de decreto-lei é um desrespeito total que o governo faz ao Congresso Nacional, que deveria ser fortalecido, uma vez que se fala tanto em democracia neste país.
Desconhecido
E se o plano é bom para o povo, nada mais justo do que o Congresso Nacional, num tal de um esforço concentrado que inventaram aí, aprovar ou não aprovar o plano econômico.
Desconhecido
O dado concreto é que o plano resolve muito mais os problemas do governo.
Desconhecido
do que o problema da sociedade brasileira.
Desconhecido
O Lenildo Tabosa está querendo falar.
Desconhecido
O PT vem combatendo o plano desde fevereiro.
Desconhecido
Agora em novembro o povo votou maciçamente no governo e evidentemente foi em grande parte por influência do plano.
Desconhecido
Isso não significaria que o povo pense de uma maneira e o PT de outra?
Desconhecido
Ou o povo está de um lado e o PT do outro?
Desconhecido
Olha, não é a primeira vez que as pessoas que têm razão perdem uma eleição.
Desconhecido
Eu lembro que quando o PMDB foi eleito, quando foi criado em 1966, o PMDB estava dotado de total razão quando criticava o regime militar e só começou a ganhar algumas eleições a partir de 1974.
Desconhecido
Eu penso, Lenildo, que você como jornalista sabe perfeitamente bem de que a oportunidade dos que defendem, dos que atacam, não são iguais.
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